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Dois dedos sobre Datação de Fontes Históricas e Fósseis

Você já se perguntou como é que sabemos sobre quanto tempo tem um determinado objeto? Já pensou sobre como é que historiadores, arqueólogos, paleontólogos, antropólogos e outros profissionais que lidam com a história dos nossos antepassados sabem quanto tempo tem que aquela pessoa morreu, ou a idade de um objeto ou de um fóssil? Não? Pois se quiser saber, continua a ler esta postagem! 



Os Métodos de Datação


Para saber a idade de uma fonte ou fóssil existem alguns métodos. Nem todos os livros didáticos trazem informações sobre eles, e quando trazem, tratam apenas de um ou dois..Nós também não trataremos de todos, e não é só porque alguns se destinam a saber a idade não de vestígios históricos, mas de materiais e eventos geológicos, isto é, próprios do planeta terra, mas também por que o nosso objetivo é ter uma noção de como este trabalho é feito. Sem contar que existem métodos que eu também desconheço, e até poderia pesquisar, mas este post já vai ser longo com o pouco que sei... se eu for pesquisar, eu não sei quando ele ficaria pronto. 😁😁😁

Estratigrafia 


Estuda os extratos (camadas) do solo. O solo é formado pro várias camadas de sedimentos que vão se sobrepondo com o passar dos anos, de modo que é possível calcular a idade de um objeto encontrado na escavações arqueológicas. Quanto mais profunda a camada, mais antigo é o artefato. Por isso, quando arqueólogos encontram algum objeto em suas escavações, eles registram o local, a profundidade e a posição em que um objeto foi encontrado. 

Fonte: http://lagesed.geologia.ufrj.br/wp-content/uploads/2017/09/estratigrafia-1.jpg

Termoluminescência


Estuda a emissão de luz resultante do aquecimento de um determinado artefato ou rocha. Os minerais cristalinos absorvem a irradiação do ambiente onde estão, essa irradiação pode ser proveniente de elementos radioativos naturais, ou, em menor escala, de raios cósmicos ( do sol ou de outros corpos galáticos). Quando aquecidos, em razão dessa irradiação, emitem luz, e a quantidade de luz é medida para determinar a idade do material. Quanto mais antigo, mais irradiação ele acumulou e mais luz ele emite.

Essa técnica pode ser utilizada em algumas rochas, terras cozidas e cerâmicas, já que elas geralmente contém quartzo, feldspato etc. As cerâmicas tem uma particularidade: o cozimento dela durante a sua fabricação apaga a irradiação anterior; mesmo assim é necessário medir a radioatividade natural do mineral que faz parte de sua composição e a do solo onde esteve enterrado antes de a submeter a luminescência. Esse método tem a vantagem de poder ser usada em fragmentos minúsculos e de permitir a datação de objetos e rochas com algumas centenas de milhares de anos.

Outra peculiaridade da técnica é que em alguns materiais ela funciona uma só vez, ou depois deles serem submetidos a radiação novamente. E claro, a primeira medição do artefato por este método será sempre a mais confiável.

Aminoácidos


Toda matéria viva tem aminoácidos em sua composição. Eles são importantes na formação das proteínas e possuem uma singularidade que permite a datação de seres que tenham vivido até 300.000 ou 500.000 anos: quando extraídos de um indivíduo vivo, eles desviam a luz polarizada para a esquerda, mas a pós a morte este desvio diminui cada vez mais, devido a transformações sofridas pelos aminoácidos. Mas esse método de datação depende de muitos fatores para ser confiável, entre eles que a temperatura do organismo em questão se tenha mantido constante, do tipo de aminoácido, da umidade, da acidez etc.

Métodos radioativos


Toda matéria que existe no mundo é formada por átomos, estruturas formadas por partículas tão minúsculas que não podem ser vistas. Mesmo os equipamentos que revelam a composição química de determinada substância não nos tornam capazes de ver o átomo, eles apenas captam o espectro de cor da energia que eles emitem. 

As partículas que compõem o átomo são os prótons e os nêutrons, no seu núcleo, e os elétrons na sua parte exterior. O átomo de cada substância tem seu número de prótons que, naquela substância, será sempre o mesmo, e é isso o que define esse átomo. Alguns átomos têm o núcleo formado por quantidades iguais de prótons e nêutrons, e são chamados de isótopos estáveis. Em outros, a quantidade de nêutrons do núcleo é diferente. Alguns isótopos emitem radiação e são chamados de isótopos radioativos

Os isótopos estáveis não se deterioram com o tempo, mas os isótopos radioativos sim. Cada isótopo radioativo tem um tempo específico em que a sua radiação cai pela metade. Esse período de tempo é uma constante, o que significa dizer que a cada período igual de tempo, a quantidade de radiação presente no material se reduzirá a metade. Chamamos essa queda de radiação pela metade de meia vida.
Gráfico representando a meia vida de um isótopo radioativo. Aqui não se considera o tempo, pois ele varia de acordo com o isótopo, consideramos apenas a redução da radiação. após a 4ª meia vida, diferentemente do gráfico, ainda acontecem outras meias vidas.
Vamos conhecer alguns dos isótopos radioativos utilizados na datação de fontes históricas e fósseis.

Carbono 14 (14C)


14C  está presente no ar atmosférico, e os seres vivos o absorvem na respiração ou na fotossíntese. Enquanto estamos vivos, absorvemos 14C, mas quando morremos, deixamos de o absorver e começamos a perde-lo. Você já sabe como funciona a meia vida de um isótopo radioativo, pois bem, a meia vida do 14C é de aproximadamente 5.730 anos, de modo que as datações com esse isótopo são bem confiáveis, mas só até o limite de 40.000 anos

Potássio-Argônio


O potássio é um dos elementos mais primitivos do planeta e faz parte da constituição dele. O que você quer dizer com isso, professora? quero dizer que ele é encontrado nas rochas. O Potássio tem tês isótopos o 39K e o 41K que são estáveis, e o 40K, que é radioativo, com meia vida de 1.250.000 anos. É justamente esse isótopo que, a medida que a radioatividade dele decai, dá origem  um gás estável, o argônio 40 (40Ar), que se acumula nas rochas. Esse 40Ar é perdido quando há um processo vulcânico e essa rocha entra em fusão. Mas quando ela esfria, formam-se cristais. esses cristais, no início não tem 40Ar, mas como elas possuem o 40K , logo o 40Ar começa a ser fabricado novamente. O argônio é um gás inerte, ele não passa a fazer parte da composição da rocha, mas fica preso nela. Então quanto mais argônio preso na rocha, mais antiga é a solidificação dela. Esse método permite saber a idade de rochas e também de fósseis mineralizados com mais de 40.000 anos até milhões de anos

Urânio 238 (238U) - Tório 230 (230Th)


Usado para medir a idade de carbonatos marinhos (conchas e corais). Isso é possível medindo a relação entre as atividades desses dois isótopos, que estão presentes nos compostos marinhos desde o momento de sua formação. O Tório se forma a partir da decomposição do núcleo Urânio, sendo um dos seus subprodutos. Como a meia vida do 238U é de 4.500.000.000 de anos, a atividade do 230Th aumenta com o passar do tempo, apesar de sua meia vida ser de 75.380 anos. Com o tempo, a diferença de atividade entre os dois isótotpos deixa de ser mensurável (passível de medição) com o tempo, não sendo possível datar carbonatos marinho com mais de 300.000 anos.

Esses isótopos também podem ser utilizados na medição a idade de ossadas, a partir de uma técnica apresentada por um paleontólogo chamado Jean Piveteau: a espectrometria gama, que mede a radiação gama de ambos os elementos, o 230Th e o  238U, sem destruir a peça a datar. Antes desse método, a radiação afa é que era medida.

Ufa! São muitos, métodos de datação, não é mesmo? Alguns eu escrevi de memória, outros eu recorri à ajuda do artigo Métodos de Datação, disponível em http://histheory.tripod.com/methodos.html. Eu o acessei em maio de 2020 pela primeira vez e hoje, 07/12/2023, às 16h e 44min ele ainda estava ativo. Espero que esta leitura tenha sido útil. 
Até um próximo post!

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